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Eu preciso olhar para mim e dizer: “Você é uma boa pessoa.”

  • 5 de ago.
  • 2 min de leitura

Durante muito tempo, achei que a paz viria quando as pessoas compreendessem as minhas escolhas quando reconhecessem minhas intenções e quando enxergassem o cuidado que existia por trás de cada decisão difícil.

Eu acreditava que, se conseguisse explicar o suficiente, talvez não fosse julgada, mas existe uma busca que nunca termina a busca por uma absolvição que vem de fora.

Em algum momento da vida, percebi que não era apenas o julgamento das outras pessoas que me paralisava, havia uma voz mais antiga dentro de mim uma voz que parecia conhecer todas as minhas dúvidas.

Que perguntava se eu estava sendo egoísta.

Se estava decepcionando alguém.

Se realmente tinha o direito de escolher um caminho diferente.

Essa voz foi sendo construída ao longo da vida, nas experiências que vivi nas expectativas que aprendi a carregar, nos olhares importantes que, um dia, se tornaram parte da forma como passei a enxergar a mim mesma.

Às vezes, ela aparece com o tom ríspido de alguém que amo muito, às vezes, apenas como uma sensação de que estou errada, mesmo quando ajo com cuidado, responsabilidade e amor.

Recentemente, vivi um sonho que me fez compreender algo importante, enquanto sustentava uma escolha significativa da minha vida, senti novamente a presença desse olhar julgador mas, dessa vez, algo era diferente.

Eu não abandonei a minha escolha mesmo com o julgamento ainda existindo.

O medo também.

Mas eles já não conduziam os meus passos, foi como se outra voz, mais silenciosa e mais verdadeira, finalmente encontrasse espaço para falar.

Ela dizia apenas:

“Você é uma boa pessoa.”

Não porque nunca erra mas porque conhece as próprias intenções, porque sabe o quanto refletiu antes de decidir e porque reconhece que, durante muito tempo, tentou cuidar de necessidades profundas da melhor maneira que conseguia.Essa frase deixou de entregar ao julgamento o poder de decidir por mim.

Acredito que uma das tarefas mais delicadas da vida adulta seja esta:

Construir uma relação consigo mesma forte o suficiente para que a própria consciência não dependa, o tempo todo, da aprovação dos outros e isso não significa deixar de ouvir críticas, nem acreditar que sempre estamos certas, significa reconhecer que existe um lugar interno onde podemos nos perguntar, com honestidade:

“Minha escolha está alinhada com aquilo que considero verdadeiro?”

Quando a resposta é sim, algo muda.

Talvez algumas pessoas continuem discordando, talvez nem todas compreendam o seu caminho. mas você já não precisa abandonar quem é para voltar a se sentir uma boa pessoa.

Na Travessia, vejo muitas mulheres tentando responder à pergunta:

“Será que estou fazendo a escolha certa?”

Com o tempo, percebo que existe uma pergunta ainda mais profunda:

“Consigo permanecer ao lado de mim mesma enquanto sustento essa escolha?”

Talvez seja aí que a confiança comece a nascer e ela não vem com ausencia de medo mas da certeza de que você pode olhar para si, com respeito, e dizer:

“Você é uma boa pessoa.”

E seguir caminhando.


 
 
 

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